
domingo, 30 de agosto de 2009
O Escafandro e a Borboleta

sábado, 15 de agosto de 2009
Kant!
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domingo, 26 de julho de 2009
Pontos e Processos

um ofício vazio. Todos estes pontos não querem ser um em-si a nos glorificar diante dos homens. Os pontos querem ser ligados!quarta-feira, 15 de julho de 2009
O porquê de eu não ser inteligente...
É engraçado ser visto como um arrogante por nutrir afinidades com um pensador hermético como o Heidegger. Ou - até pior! - ser considerado inteligente por esta razão. Fala o Goethe pelos lábios de Wherter que os prosaicos o consideram por demais devido à seu intelecto, seus dotes artísticos ou sua retórica, mas é de seu coração que ele unicamente se orgulha; e este ninguém conhece! Saint-Exupéry transborda vida através do Petit Prince: "L´essentiel est invisible pour les yeux"! Fala Paulo de Tarso dos ditos indizíveis. Comenta Sidarta sobre o silêncio do Nirvana. Proclamam homens e mulheres sobre a ilusão do eu pensante - do Ego Cogito Cogitatum! - que insiste em nos dar uma unidade egóica mesma a nos identificar e cristalizar a invenção em nós.
rebuscado" nem "quer esconder o vazio da sua interioridade psíquica numa retórica incognoscível aos intramundanos"! O que ele fala não é do plano do prosaico, do lógico ou do intelectual, mas sim do poético, do artístico e da intuição. Buscar ler Heidegger em alemão é, destarte, aproximar-se da criação original que se deu no autor, que se constitui na obra mesma que, nele, escolheu se manifestar! O que importa, aqui, não é o ponto inicial da ignorância total nem o ponto final da sapiência cósmica, mas o traçado feito duma coordenada à outra. O próprio Heidegger, saliento, faz constantes citações a textos em grego, com seus caracteres originais, como alguns diálogos platônicos e, principalmente, registros aristotélicos... E isto sem apresentar uma tradução! "Miserável!", gritam alguns. Mas ele sabe que nenhuma palavra, conceito ou imagem podem representar a pura presença do Ser no homem. Ele sabe que não se "pega" a idéia sem o esforço de se debruçar sobre livros, rever opiniões e substituir valores. Posso até melhorar minha assertiva: não é a taverna ao final da empreitada que alimenta o aventureiro, mas a caminhada angustiante é que o fez crescer...terça-feira, 23 de junho de 2009
Em Ritmo de São João

O grego - principalmente o vernáculo Koiné, utilizado na escrita neotestamentária - é idioma por demais ligado ao cotidiano, ao concreto e à vida, mesmo em se tratando de abstrações, ontologias e metafísicas. Já o português - barroco em excesso - é cheio de cadências e floreios. A expressão "Ἐν ἀρχῇ" (transl. En arché) pode muito bem ser traduzida como "No princípio", mas o que um poeta heleno clássico entederia com "ἀρχῇ" não equivale ao que um prosaico brasileiro da modernidade significaria ao ler "princípio". Se transformássemos ambas as frases em conjuntos semânticos, pequena seria a área de intercessão entre ambos.
Por "princípio", entendemos o começo - seja espacial ou temporal - de alguma coisa. É aquele ponto a partir do qual uma realidade se inicia. Já "ἀρχῇ" quer figurar não o ponto de partida, mas aquilo que vem antes dele. Há uma regra de conduta clássica que valoriza aqueles que chegaram na frente (a logística da fila ou o nosso respeito pelos anciãos, por exemplo). "Aρχῇ" não é, como "princípio", o ponto de começo, mas é a zero-extensão e a zero-duração, anterior a tudo! É o mar arquetípico, anterior a todas as ondas tipológicas. Incluíndo a própria significância das coisas e - logo - as palavras e verbos que a manifestam.
É aqui que as traduções da tradição (e as interpretações corolárias a estas...) esbarram num dilema. Traduzir "Λόγος" (transl. Lógos) por "Verbo" ou - ainda pior! - por "Palavra" implica diferentes sentidos: uma semântica diferente, que aponta para uma sensação corpórea/constituição subjetiva diferentes, resultando numa política diferente que as gere e as gera! "Λόγος" pode, sim, ser traduzido como "palavra" ou "verbo", mas não neste dado contexto, no qual aquilo que é ("ἦν", terceira pessoa do pretérito imperfeito do verbo "Ser") vem antes de todas as coisas, incluindo as palavras e verbos que as designam!
As edições pastorais, num golpe de misericórdia no cadáver contorcido de João, traduzem o verbo "ἦν" por "existia" ao invés de "era", alterando essencialmente a semântica original. O cidadão grego possui todo um cuidado na lida do verbo "Ser", visto que aquilo que é, é! O Ser não equivale à simples existência factual, para o heleno. Tanto que o Ser nunca é negado na linguagem clássica (não se diria "Ele não é grego" mas "Ele é não grego"...). Logo, tra
nsliterar "Ἐν ἀρχῇ ἦν ὁ Λόγος" por "No princípio era o Verbo" ou, ainda, por "No começo a Palavra já existia" é alterar a própria estrutura fundamental e fundamentante da mensagem. Se o heleno, com a frase, entenderia que existe um princípio infundado anterior a toda existência factual e ôntica, além da temporalidade mundana, da limitação espacial e do falatório cotidiano, o homem do português significaria a mensagem com a idéia de que, antes do mundo existir, Deus - enquanto Verbo - já existia antes dele, sendo o ponto de partida e desvelamento do mesmo. E esta confusão toda só no primeiro verso dum livro de 21 capítulos!
Minha intenção, com este post, não deve ter ficado explícita. Além, claro, de compartilhar minhas experiência com os senhores, viso sempre apontá-los a um certo sentido. Post enquanto "ação na Pólis". Política! Nosso diálogo, então, não foi encerrado, visto que considero ter feito, aqui, apenas uma introdução a outras discussões que estão por vir...
sábado, 6 de junho de 2009
O Bêbado